quinta-feira, 29 de março de 2012

Segredo da luz - Raul seixas

                                                         

SEGREDO DA LUZ


RAUL SEIXAS

Os olhos verdes que piscam no escuro de céu
Filho da luz, fui nascido da lua e do sol!
Nas noites mais negras do ano eu mostro minha voz;
Estrelas, estrelas
As estrelas elas brilham como eu!
As nuvens vagueiam no espaço sem lar nem raiz
0 ódio não é o real é a ausência do amor
No fim é um grande oceano, mãe, mãe filho e luz...
Estrelas, estrelas
As estrelas elas brilham com nós!
As trevas da noite assustam escondendo o segredo da luz!
Da luz que gargalha do medo do escuro
Que é quando os meus olhos não podem enxergar!
Dia , noite,
Se é dia sou dono do mundo e me sinto filho do sol
Se é noite eu me entrego às estrelas em busca de um farol
Estrelas, estrelas,
As estrelas elas brilham como eu.
As trevas da noite...

domingo, 25 de março de 2012

Conto: O CURIOSO CASO DO JACU



Por Maria Bessa 

“Se a palavra existe para não ser falada, então para que é que ela nasce, mamãe? – Foi essa incrível e intrigante indagação que Clarinha fizera a sua mãe, Celi, no dia em que ela mesma sofreu do pai, Agenor, uns catiripapos. Clarinha estava furiosa! Furiosa mesmo! Com “F” maiúsculo!
 Então aconteceu assim, bem no meio da sala de visitas e tudo! Vamos deixar que a própria Clarinha fale, a própria vitima, justiça seja feita:
Aconteceu assim: a menina Clara, ou seja, eu própria! nem acabara de chegar direito da escola, ainda adentrava pelas dependências da casa paterna, enfunando-me afoita feito um relâmpago por entre os corredores compridos que davam para o meu refúgio predileto, adivinha o quê? O meu quarto, é claro! (depois, é claro, da casa da minha amiga do peito, Bezinha). Eu queria livrar-me depressa da sainha engraçadinha de pregas azuis e bainha acima dos joelhos; e da blusa de poliéster branco-garça tinindo de encardida. Um sorriso colegial estampado no rosto, entoando uma modinha na boca! “laralaralara!...”
Foi assim que acabei de chegar da aula de Literatura (amooooo literatura! Adooooro minha ‘fessora de literatura!) Então eu chegara toda arejada em sorrisos, com uma anônima e desentoada e ridícula cançãozinha na boca, e uma escarcela, também azul, debaixo do braço... (ei, psiu! Aposto que você aí, nem sabe o que significa escarcela! Acertei? É claro que acertei! Tudo bem! Vamos lá! Escarcela é um termo bastante obsoleto, adoro os termos obsoletos, cheirando a bolor; desenterrar defuntos é comigo mesmo! Acho que vou estudar fóssil!... etcétera, etcétera! Mas você também pode consultar um dicionário, e olhe, é bom que seja um dicionário também obsoleto, nem pense em abrir o Aurélio! Nem mesmo o Antonio Hoausss se deu ao trabalho de metê-lo entre seus milhões e tantos verbetes... No fim das contas para resumir a história e lhe poupar da amolação de escarafunchar dicionário que ninguém merece, vamos combinar! eu digo que escarcela é um sinônimo para o que hoje em dia chamamos de pasta ou mochila, tudo bem, quebrei seu galho! vamos adiante).
Então eu peguei o livro que estava fora da escarcela, tão azul quanto a minha saia, preso entre meu braço e meu corpo, mais precisamente sob meu sovaco ainda sem pelos nem cabelos (repare, eu poderia muito bem dizer entre as minhas axilas ainda sem pelos nem cabelos... Axila é sonoramente mais bonito, é certo, mas como eu disse antes adoro termos em desuso! Diz mamãe, enojada, que isso é coisa de aborrescente, o fato é que eu detesto ser unânime! a-d-o-r-o-ser-do-contra! Unanimidade é coisa de cérebro desprovido de inteligência, mamãezinha!) Então voltando ao assunto do livro que estava fora da escarcela bem azulzinha como é o nosso céu, eternamente fixado na nossa Bandeira, o danado se foi escorregando como que deliberadamente do meu sovaco para o móvel da sala, caindo bem no centro mesmo da mesinha de centro, bem aos olhos do meu pai. Pra quê! Menina, isso deu o maior quiprocó! (kkkk! Hoje decidi intoxicar todo mundo de palavras raras... raras e esdrúxulas... Esdrúxula? essa é mesmo de matar! Isso é a minha cara, Mamãe que o diga! Bezinha, minha amiga do peito, que o diga! Mamãe vive dizendo que Bezinha não é catarro, mas adora andar no meu peito!)
 Acontece que o danado do livro deu de cair numa posição que aos olhos de papai pareceu indecente.    
         Tudo começou assim, por causa de um nada, um simples nadinha... Acho melhor começar do começo. As coisas importantes são começadas assim, do Principio como na Bíblia. Só mais um adendo à guisa de explicação: Se eu fosse dar um titulo a essa história eu gostaria que ela se chamasse, “A problemática do cu”, simplesmente isso, sem nada de lições de moral, Deus me livre! Epimítio à parte. Faça-me o favor!
Agora começando do começo. Nada de entremeios! Nada de parênteses! Parênteses só servem para emperrar o bom andamento da história, e como diria a própria mamãe: parênteses nem os dentes! Vamos à história então:
                          Um dia sem quê nem pra quê tomei uns catiripapos de papai! E tudo isso bem no meio da sala de estar. Pode? Só porque eu deixei escorregar o livro que trazia debaixo do braço para a mesinha de centro muito limpa de mamãe, acho que era de mamãe, pelo menos era ela quem a esfregava com uma flanela todo santo dia! O problema nem era a mesinha asseada de mamãe, tampouco o livro que escapuliu do sovaco à mesinha. O problema era o titulo ABERRANTE segundo o tamanho dos olhos espantados do próprio papai: “O-QUE-SIGINIFICA-ISTO?”
Este “O-QUE-SIGNIFICA-ISTO”, viera tão velozmente igual ao seu bração! E fez: Pá! Não, fez: Plaft! Ali mesmo no meio da sala. Que ódio! Ai, quiódio! Acompanhado de um: “VOCE ANDA A LER IN-DE-CÊN-CI-AS E PA-LA-VRÕES E COISA E ATAL!... ele trovejou. “Mas onde está esse palavrão, Deus do céu!” mamãe disse. “Cadê ELE? Cadê As INDECÊNCIAS!” ela disse e começou a enfiar os seus oclões ou oculões, seja lá o que for mais certo. O fato é que ela não estava conseguindo achar o PALAVRÃO de papai, nem à lupas!
“Veja!” Ele disse, berrou. “Bem aqui na sua frente! no seu nariz!”, e esfregou o livro bem proximozinho ao rosto delicado de mamãe! Bem rente aos seus olhinhos negros e cegos, agora: acabados de cegar! É o que pareceu ao próprio papai que andava com o dedo sobre o livro apontando-lhe as INDECÊNCIAS jogando-LHES à cara!
 Eu tive de entrar no assunto. Tive de imiscuir-me (adoro essa palavra: imiscuir!) “É que não se trata propriamente de um palavrão, mamãe! E sim de uma palavrinha, uma palavrinha de nada, uma tênue e frágil palavrinha! Indefesamente a mercê de preconceitos etcétera!...” eu disse.
Qual é o problema, meu Deus do céu, com esse monossílabo tão inofensivo que até os próprios professores (principalmente eles), andam a cantá-lo aos quatro ventos como as tabuadas de outrora: “c a: ca, c o: co, c u: cu!”? E não são eles, Deus do céu! que adoram embalar suas criancinhas com essas soletrações escolares, criancinhas de berço, até! Que mal há nisso, ora! Quanta injustiça com o danado do cu!” eu disse, não, pensei alto. (ADORO PENSAR ALTO, PARECE MUITO COISA DE ADULTO, DE ARTISTA DE TV).
 Foi aí que mamãe declarou em alto e bom som: PALHAÇADA...
NÃO:
PA-LHA-ÇA-DA!  Mamãe adorava gaguejar as palavras, sobretudo quando estava “COBERTA DE RAZÃO”. Ela estava olhando fixamente para papai e jogando o livro de novo, repassando-o, para a mesinha tinindo, lustrando em óleos de peroba. “FRAN-CA-MEN-TE!” Ela disse assim que percebeu o grande equivoco de papai.
Aconteceu que o livro intitulado “O dia do Jacu” (antes fosse do Chacal), estava com a beira arrebitada a capa um pouco dobrada como uma carta, deixando à mostra desinibidamente nu, ao deus-dará, o seu último monossílabo. Ai que confusão dos infernos esse JACU nos trouxe! Mas eu explico. É que o diabo do “Já” de jacu, encontrava-se na parte oculta da dobra; enquanto o nojento, o nojentinho do “cu”, estava totalmente para cima, livre desimpedido, tomando a brisa gostosa daquela quase tarde ensolarada!
“FRANCAMENTE!” Mamãe disse de novo dando a história por encerrada! Mamãe era craque nisso, em encerrar histórias com chave-de-ouro! “E tudo isto, por uma coisinha de nada, uma coisinha à toa! Uma miniatura de palavra, Deus do céu! Que não fede nem cheira! Não faz mal a ninguém. Francamente, faça-me o favor! Ponto”.
“Exagero à parte, mamãe! Também não é tudo isso daí! Não. Eu não acho que essa palavrinha preencha toda essa fieira de adjetivos! Menos a verdade!” E foi isso aí! No fim das contas tudo acabou bem, o mal-entendido foi desfeito, graças a Deus! A minha amiga do peito, Bezinha, veio almoçar conosco! Mamãe selou aquele dia com um bonito bolo de chocolate. Adoooooro bolo de chocolate!!! A tarde prosseguiu lindamente ensolarada e azul, como qualquer anil!    
 Agora é a sua vez de contar. Invente sua história! Sua professora vai amar, elas são sempre suscetíveis a esses amores, a esses contos do vigário! E por falar nisso, acabei de lembrar-me de um... Ah! Primeiro você, claro! A vez é sua:
Entrou na perna do pato saiu na perna do pinto, senhor rei mandou dizer que você contasse cinco; ou: entrou na perna do pinto, saiu na perna do pato, senhor rei mandou dizer que você contasse...? 

Maria Bessa é Professora de Língua Portuguesa, Redação e Literaturas, atualmente dedica-se a atividade de escritora e poetisa. Possui três livros publicados: "Entre Eros e Tanatos", "Marco do Meio" e "O último circo". Natural de Mataraca - Paraíba, reside atualmente na cidade do Rio de Janeiro.

A nova ficção sobre os nordestes (Assim mesmo no plural)


De mim para mim mesma                                               

Não sei se isso
É a minha loucura
Ou um jeito meu de não enlouquecer:
O fato é que escrevo
Cada palavra
Como de gota em gota
Fosse lágrima
Que me desocupa a alma!
(Maria Bessa)

 

O nordeste na primeira metade do século XX

Por Claudio Rodrigues especial para a biblioo

A década de 1930 é conhecida nos espaços literários como o momento do romance regional, especificamente o romance ambientado no sertão nordestino. Após as reivindicações dos modernistas de 22, e de ser instaurada uma literatura com uma linguagem mais abrasileirada, é no romance de 30 que o país passa a ser retratado com mais realismo. Os problemas sociais, o flagelo da seca, os mandos e desmandos de uma terra de leis inexistentes são temas que orientam escritores como Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos, José Lins do Rego e Jorge Amado (no Nordeste) e Érico Veríssimo (no Sul). Embora o sertão, as matas e o litoral do nordeste tenham sido já retratados antes dessa época (O sertanejo, de José de Alencar; Os sertões, de Euclides da Cunha, O Cabeleira, de Franklin Távora; A Bagaceira, de José Américo de Souza) é com o regionalismo de 30 que a literatura começa a refletir o país de modo mais crítico e polêmico.

Os romances tinham em comum, além da crítica de forte apelo social, a linguagem limpa de ornamentos, destituída de metáforas, seca como o problema que ela encerrava. Mas essa nova linguagem, nascida de um despojamento, enche os olhos dos leitores brasileiros, ávidos por conhecer o Brasil desconhecido porque esquecido. Graciliano foi mestre no uso dessa linguagem, mas também o foram Rachel de Queiroz (O Quinze) e José Lins do Rego (Fogo Morto). Passada essa década de “redescoberta do país esquecido”, surgiram outros escritores cuja linguagem foi reinaugurada, como Clarice Lispector e Guimarães Rosa. E o nordeste deixou de ser o centro da literatura. Estávamos cansados de ver a miséria retratada na ficção. Queríamos respirar outros ares. Novos escritores nordestinos não despontaram. O eixo de ficção sul-sudeste se intensificou. Veio a fase do conto, houve uma certa estagnação da literatura na década de oitenta.

O nordeste dos anos 2000: dá para falar em regionalismo?

Mas eis que o final do século XX novamente viu surgir vozes nordestinas, apresentando uma ambiência totalmente diferente da geração de 30, em projetos igualmente distintos entre si. Não sei se coloco esses novos escritores dentro do bojo da geração 2000 (muitos escrevem desde a década de 90, embora tenham sido reconhecidos apenas a partir dos 00), mas o fato é que uma nova configuração de ficção sobre o nordeste é clara.

Para citar apenas dois representantes dessa nova geração, indico Marcelino Freire, contista pernambucano e agitador cultural em São Paulo, cuja ficção é quase minimalista, uma linguagem oralizada, performatizada e de personagens mergulhados numa crueza (Rasif: mar que arrebenta, 2008, é um exemplo), e o romancista premiado Ronaldo Brito (do romance Galileia, que venceu alguns prêmios importantes no país recentemente). Ao contrário do nordeste mítico, primitivo, seco e da política do manda-quem-pode-obedece-quem-tem-juízo, a temática agora parece voltar-se mais para as ações humanas individuais, embora não se deixe de apresentar a paisagem. São as questões internas que conduzem os enredos e orientam a trama hibridizada. O personagem segue discorrendo sobre sua existência num mundo cruel, quase sem intermediação de narrador. O personagem livre das descrições psicológicas se diz, se mostra e se impõe.

Uma escrita de peso em O último circo

Nessa resenha, gostaria de apresentar uma escritora nova, recém-publicada pela Editora Multifoco (Rio de Janeiro), que pode muito bem ser uma representante dessa nova ficção nordestina. Não que o tema regionalismo tenha despontado de novo. Não é isso. São escritores de uma região escrevendo sobre o humano, sobre a profundidade do humano, sem limites de fronteiras, ainda que o ambiente seja o sertão ou a faixa litorânea. A escritora paraibana Maria Bessa, em seu romance O último circo, apresenta uma visão muito particular de uma família “tipicamente nordestina”, como a sinopse indica. Mas esse típico está longe de ser uma caricatura de personagens-tipos. A nordestinice está latente nos modos, na linguagem. E só. De modo que essa família pode estar em qualquer parte do país.

Em pouco mais de 250 páginas, o romance vai alinhavando pequenas histórias, a modo de uma colcha de retalhos. Pelos olhos do personagem-narrador, o adolescente Euves (com “u” mesmo) vemos a trajetória de uma família relativamente abastada, na cidade de Mataraca (litoral paraibano), até o seu declínio, por volta dos anos 50. A família de Euves (seu pai também é Euves com “u”, erro do tabelião) descende dos abastados proprietários de engenhos de açúcar, mas o que importa saber no romance é menos o relato de sua decadência e mais os muitos casos narrados com doses de bom humor, numa linguagem apurada e lírica, bem construída, repleta de cacoetes e de recursos regionalistas que dão ao texto mais força de expressão. Esqueci de mencionar que o cachorro da família se chama Antonio Silvino e adora peidar. E o que isso tem a ver com a trama? E o que o Euves filho e o Euves pai têm em comum, além do lapso do registro do nome? E onde entra na história (ou histórias) o circo, com seu universo mágico? Será uma metáfora? Seria a família o próprio ambiente circense, em que cada personagem cumpre muito bem seu papel de fazer rir?

“Francamente, papai nunca foi uma pessoa totalmente engajada com o mundo real, e mamãe sabia disso. E, de acordo com o calendário lunar, isso se agravava de tempos em tempos. Sabe, Menino, seu pai é como um aparelho fora da tomada, totalmente desligado. Mamãe disse, vivia dizendo…” Logo no início, percebe-se a importância desse pai na vida do adolescente. Os títulos dos capítulos já indicam que o romance é quase que uma rapsódia, costura de contos sobre a família. Vejamos alguns: “Quem foi que disse que Deus não dorme?”; “Vovô foi alvejado na moleira por uma cigarra mijona”; “Uma descendência de dom Fruela: papai tinha sangue real”; “cogumelos de inverno ou orelha de pau”; “um debutante, um veterano, um bêbado: uma história sexual”. Quem não sente vontade de mergulhar na leitura vendo esses títulos tão inspirados?

A advertência ao leitor iniciante de Maria Bessa é: “não se preocupe com o enredo, com começos, meios e fins”. Finalmentes é o que não há nessa narrativa. O que conta são os contos (causos, rapsódias), a linguagem, os capítulos quase soltos, que bem poderiam ser contos isolados, a polifonia dos personagens variados e engraçadíssimos, que fazem de Maria Bessa uma promessa que já é presente. Ela só precisa ser lida, vista, divulgada.

Por fim, é importante dizer que a Editora Multifoco, situada no Rio de Janeiro, vem se destacando no mercado editorial por dar chance para autores desconhecidos. Não estou me referindo àquelas editoras de fachada que cobram do autor pela edição/impressão. A multifoco se responsabiliza por tudo, desde que os editores vejam no texto qualidades. Depois da publicação, a própria editora se encarrega de vender a obra (www.editoramultifoco.com.br) sem prejuízo para o autor.

E para não dizer que o título é metáfora, deixo o leitor com um trecho do último capítulo: “Naquele dia, chovia muito em Mataraca. Para falar com franqueza, chovia demais. As águas chegaram a invadir as ruas, cobrindo o meio-fio. E o céu, Deus do céu, o céu não estava azul. Mas havia o circo. E a cidade tornava-se grande porque receberia um circo; para ser franco, tornava-se imensa, porque cabia um circo. Um circo inteiro dentro dela”.

O último circo é uma leitura que dá a dimensão de imensidade a um pequeno lugarejo, a uma pequena família, num tempo tão pequeno, na vastidão da memória da autora.


Livro: O último circo
Autor: Maria Bessa
Editora Multifoco, 2011
Gênero: Romance
Páginas: 276
Preço: R$ 50.00












Cláudio Rodrigues é doutor em Ciência da Literatura (UFRJ, mestre em Literatura Brasileira (UFF), professor de português e literatura em EJA e autor de livros infantojuvenis.

 Fonte:http://biblioo.com.br/a-nova-ficcao-sobre-os-nordestes-assim-mesmo-no-plural/




sábado, 24 de março de 2012

Exposição CHAPLIN E SUA IMAGEM

O Centro Municipal Hélio Oiticica apresenta ao público carioca um dos grandes nomes da história do Cinema: Charles Chaplin, também conhecido como o Carlitos. Diretamente das telas do cinema para o museu, a exposição reune grandes momentos do ator, diretor e escritor. A exposição é dividida em quatro grandes temas: ‘A criação de Carlitos’, ‘Chaplin como cineasta’, ‘Da fama ao exílio’, e ‘Fala Chaplin, morre Carlitos’, apresentando a trajetória do mais famoso personagem do ator, passando pelo perfeccionismo de Chaplin como diretor até sua reclusão no fim da vida.

 
 
"Pensamos demasiadamente
Sentimos muito pouco
Necessitamos mais de humildade
Que de máquinas.
Mais de bondade e ternura
Que de inteligência.
Sem isso,
A vida se tornará violenta e
Tudo se perderá."
 
Charles Chaplin





Viabilizada pelo acesso especial aos arquivos da família Chaplin, esta exposição propõe-se a estabelecer uma relação entre a história de um ator-diretor de gênio e formação do mito a que sua criação deu origem. Nascido em 1889 em uma família londrina dedicada ao Show Business e atuando no palco praticamente desde quando aprendeu a andar, Charles Spencer Chaplin, que morreu na Suíça em 1977, personifica duas figuras indissociáveis: Charles Chaplin, o cineasta e ator de sucesso, e o mítico e universal Carlitos.

Os arquivos dos estúdios Chaplin, preservados pela família Chaplin, atribuem uma nova amplitude e profundidade à nossa visão sobre o artista e sua criação. A riqueza e diversidade do material por eles apresentadas - trechos de filmes, fotografias, obras de artista vanguardistas dos anos 20 e 30 - testemunham o quão minuncioso e ciente do uso da presença cênica foi este homem, que muito cedo encontrou o sucesso, bem como seu prodigioso Dom para originar e vivificar imagens, inclusive a sua própria. 


O acervo apresentado pela exposição compreende mais de 200 fotos (Stills) de produção e fotografias feitas no estúdio de filmagens, muitas delas inéditas. 


No intuito de estabelecer um diálogo real entre imagens fixas e em movimento, quinze telas e oito projeções exibem seleções da obra de Chaplin na forma de trechos e montagens, em contraposição aos temas suscitados pelas fotografias. 

Vale a pena conferir a exposição! A entrada é franca e a classificação livre.





Exposição  ”Chaplin e sua imagem”
Centro Cultural Hélio Oiticica
Rua Luís de Camões, 68 – Centro
Tel. 2232-4213 | 2232-2213
De 07 de março a 29 de abril
De terça a sexta, das 11h às 18h | Sábado, Domingo e Feriados, das 11h às 17h







Fontes: Folder da exposição Charles Chaplin e sua imagem - Curadoria Sam Stourdzé.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Rosa - Pixinguinha


Em 2012 é comemorado 105 anos de um dos maiores gênios do choro e da Música Popular Brasileira, Pixinguinha.

          
                                          

Rosa 

Pixinguinha

Tu és, divina e graciosa
Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente
Aqui nesse ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
Teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz
Do arfante peito seu


Tu és a forma ideal
Estátua magistral oh alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas um amor
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza


Perdão, se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh flor meu peito não resiste
Oh meu Deus o quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar em esperar
Em conduzir-te um dia
Ao pé do altar
Jurar, aos pés do onipotente
Em preces comoventes de dor
E receber a unção da tua gratidão
Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
Hei de envolver-te até meu padecer
De todo fenecer


domingo, 11 de março de 2012

O Grande Ditador - LEGENDADO



                                                    


Canto ao Homem do Povo - Charles Chaplin


Carlos Drummond de Andrade


I


Era preciso que um poeta brasileiro,
não dos maiores, porém dos mais expostos à galhofa,
girando um pouco em tua atmosfera ou nela aspirando a viver
como na poética e essencial atmosfera dos sonhos lúcidos,

era preciso que esse pequeno cantor teimoso,
de ritmos elementares, vindo da cidadezinha do interior
onde nem sempre se usa gravatas mas todos são extremamente polidos
e a opressão é detestada, se bem que o heroísmo se banhe em ironia,

era preciso que um antigo rapaz de vinte anos,
preso à tua pantomima por filamentos de ternura e riso dispersos no tempo,
viesse recompô-los e, homem maduro, te visitasse
para dizer-te algumas coisas, sobcolor de poema.

Para dizer-te como os brasileiros te amam
e que nisso, como em tudo mais, nossa gente se parece
com qualquer gente do mundo - inclusive os pequenos judeus
de bengalinha e chapéu-coco, sapatos compridos, olhos melancólicos,

vagabundos que o mundo repeliu, mas zombam e vivem
nos filmes, nas ruas tortas com tabuletas: Fábrica, Barbeiro, Polícia,
e vencem a fome, iludem a brutalidade, prolongam o amor
como um segredo dito no ouvido de um homem do povo caído na rua.

Bem sei que o discurso, acalanto burguês, não te envaidece,
e costumas dormir enquanto os veementes inauguram estátua,
e entre tantas palavras que como carros percorrem as ruas,
só as mais humildes, de xingamento ou beijo, te penetram.

Não é a saudação dos devotos nem dos partidários que te ofereço,
eles não existem, mas a de homens comuns, numa cidade comum,
nem faço muita questão da matéria de meu canto ora em torno de ti
como um ramo de flores absurdas mando por via postal ao inventor dos jardins.

Falam por mim os que estavam sujos de tristeza e feroz desgosto de tudo,
que entraram no cinema com a aflição de ratos fugindo da vida,
são duras horas de anestesia, ouçamos um pouco de música,
visitemos no escuro as imagens - e te descobriram e salvaram-se.

Falam por mim os abandonados da justiça, os simples de coração,
os parias, os falidos, os mutilados, os deficientes, os indecisos, os líricos, os cismarentos,
os irresponsáveis, os pueris, os cariciosos, os loucos e os patéticos.

E falam as flores que tanto amas quando pisadas,
falam os tocos de vela, que comes na extrema penúria, falam a mesa, os botões,
os instrumentos do ofício e as mil coisas aparentemente fechadas,
cada troço, cada objeto do sótão, quanto mais obscuros mais falam.


II


A noite banha tua roupa.

Mal a disfarças no colete mosqueado,

no gelado peitilho de baile,

de um impossível baile sem orquídeas.


És condenado ao negro. Tuas calças

confundem-se com a treva. Teus sapatos

inchados, no escuro do beco,

são cogumelos noturnos. A quase cartola,

sol negro, cobre tudo isto, sem raios.


Assim, noturno cidadão de uma república

enlutada, surges a nossos olhos

pessimistas, que te inspecionam e meditam:


Eis o tenebroso, o viúvo, o inconsolado,

o corvo, o nunca-mais, o chegado muito tarde

a um mundo muito velho.


E a lua pousa

em teu rosto. Branco, de morte caiado,

que sepulcros evoca mas que hastes

submarinas e álgidas e espelhos

e lírios que o tirano decepou, e faces

amortalhadas em farinha. O bigode

negro cresce em ti como um aviso

e logo se interrompe. É negro, curto,

espesso. O rosto branco, de lunar matéria,

face cortada em lençol, risco na parede,

caderno de infância, apenas imagem

entretanto os olhos são profundos e a boca vem de longe,

sozinha, experiente, calada vem a boca

sorrir, aurora, para todos.


E já não sentimos a noite,

e a morte nos evita, e diminuímos

como se ao contato de tua bengala mágica voltássemos

ao país secreto onde dormem os meninos.

Já não é o escritório e mil fichas,

nem a garagem, a universidade, o alarme,

é realmente a rua abolida, lojas repletas,

e vamos contigo arrebentar vidraças,

e vamos jogar o guarda no chão,

e na pessoa humana vamos redescobrir

aquele lugar - cuidado! - que atrai os pontapés: sentenças

de uma justiça não oficial.



III


Cheio de sugestões alimentícias, matas a fome

dos que não foram chamados à ceia celeste

ou industrial. Há ossos, há pudins

de gelatina e cereja e chocolate e nuvens

nas dobras do teu casaco. Estão guardados

para uma criança ou um cão. Pois bem conheces

a importância da comida, o gosto da carne,

o cheiro da sopa, a maciez amarela da batata,

e sabes a arte sutil de transformar em macarrão

o humilde cordão de teus sapatos.


Mais uma vez jantaste: a vida é boa.

Cabe um cigarro: e o tiras

da lata de sardinhas.



Não há muitos jantares no mundo, já sabias,

e os mais belos frangos

são protegidos em pratos chineses por vidros espessos.

Há sempre o vidro, e não se quebra,

há o aço, o amianto, a lei,

há milícias inteiras protegendo o frango,

e há uma fome que vem do Canadá, um vento,

uma voz glacial, um sopro de inverno, uma folha

baila indecisa e pousa em teu ombro: mensagem pálida

que mal decifras

o cristal infrangível. Entre a mão e a fome,

os valos da lei, as léguas. Então te transformas

tu mesmo no grande frango assado que flutua

sobre todas as fomes, no ar; frango de ouro

e chama, comida geral, que tarda.




IV



O próprio ano novo tarda. E com ele as amadas.

No festim solitário teus dons se aguçam.

És espiritual e dançarino e fluido,

mas ninguém virá aqui saber como amas

com fervor de diamante e delicadeza de alva,

como, por tua mão a cabana se faz lua.

Mundo de neve e sal, de gramofones roucos

urrando longe o gozo de que não participas.

Mundo fechado, que aprisiona as amadas

e todo o desejo, na noite, de comunicação.

Teu palácio se esvai, lambe-te o sono,

ninguém te quis, todos possuem,

tudo buscaste dar, não te tomaram.



Então encaminhas no gelo e rondas o grito.

Mas não tens gula de festa, nem orgulho

nem ferida nem raiva nem malícia.

És o próprio ano-bom, que te deténs. A casa passa

correndo, os copos voam,

os corpos saltam rápido, as amadas

te procuram na noite... e não te vêem,

tu pequeno, tu simples, tu qualquer.


Ser tão sozinho em meio a tantos ombros,

andar aos mil num corpo só, franzino,

e ter braços enormes sobre as casas,

ter um pé em Guerrero e outro no Texas,

falar assim a chinês a maranhense,

a russo, a negro: ser um só, de todos,

sem palavra, sem filtro,
sem opala:
há uma cidade em ti, que não sabemos.



V


Uma cega te ama. Os olhos abrem-se.
Não, não te ama. Um rico, em álcool,
é teu amigo e lúcido repele
tua riqueza. A confusão é nossa, que esquecemos
o que há de água, de sopro e de inocência
no fundo de cada um de nós, terrestres. Mas, ó mitos
que cultuamos, falsos: flores pardas,
anjos desleais, cofres redondos, arquejos
poéticos acadêmicos; convenções
do branco, azul e roxo; maquinismos,
telegramas em série, e fábricas e fábricas
e fábricas de lâmpadas, proibições, auroras.
Ficaste apenas um operário
comandado pela voz colérica do megafone.
És parafuso, gesto, esgar.
Recolho teus pedaços: ainda vibram,
lagarto mutilado.

Colo teus pedaços. Unidade
estranha é a tua, em mundo assim pulverizado.
E nós, que a cada passo nos cobrimos
e nos despimos e nos mascaramos,
mal retemos em ti o mesmo homem,
                aprendiz
                bombeiro
                caixeiro
                doceiro
                emigrante
                forçado
                maquinista
                noivo
                patinador
                soldado
                músico
                peregrino
                artista de circo
                marquês
                marinheiro
                carregador de piano
apenas sempre entretanto tu mesmo,
o que não está de acordo e é meigo,
o incapaz de propriedade, o pé
errante, a estrada
fugindo, o amigo
que desejaríamos reter
na chuva, no espelho, na memória
e todavia perdemos



VI


Já não penso em ti. Penso no ofício
a que te entregas. Estranho relojoeiro
cheiras a peça desmontada: as molas unem-se,
o tempo anda. És vidraceiro.
Varres a rua. Não importa
que o desejo de partir te roa; e a esquina
faça de ti outro homem; e a lógica
te afaste de seus frios privilégios.

Há o trabalho em ti, mas caprichoso,
mas benigno,
e dele surgem artes não burguesas,
produtos de ar e lágrimas, indumentos
que nos dão asa ou pétalas, e trens
e navios sem aço, onde os amigos
fazendo roda viajam pelo tempo,
livros se animam, quadros se conversam,
e tudo libertado se resolve
numa efusão de amor sem paga, e riso, e sol.

O ofício é o ofício
que assim te põe no meio de nós todos,
vagabundo entre dois horários; mão sabida
no bater, no cortar, no fiar, no rebocar,
o pé insiste em levar-te pelo mundo,
a mão pega a ferramenta: é uma navalha,
e ao compasso de Brahms fazes a barba
neste salão desmemoriado no centro do mundo oprimido
onde ao fim de tanto silêncio e oco te recobramos.

Foi bom que te calasses.
Meditavas na sombra das chaves,
das correntes, das roupas riscadas, das cercas de arame,
juntavas palavras duras, pedras, cimento, bombas, invectivas,
anotavas com lápis secreto a morte de mil, a boca sangrenta
de mil, os braços cruzados de mil.

E nada dizias. E um bolo, um engulho
formando-se. E as palavras subindo.
Ó palavras desmoralizadas, entretanto salvas, ditas de novo.
Poder da voz humana inventando novos vocábulos e dando sopros exaustos.
Dignidade da boca, aberta em ira justa e amor profundo,
crispação do ser humano, árvore irritada, contra a miséria e a fúria dos ditadores,
ó Carlito, meu e nosso amigo, teus sapatos e teu bigode
caminham numa estrada de pó e de esperança.




Fonte: ANDRADRE, Carlos Drummond de, Antologia Poética, 40ª edição - Rio de Janeiro, editora: Record, 1998.





sábado, 10 de março de 2012

Deuses Gregos Mitologia - Documentário Completo

                                                                      


Os gregos criaram vários mitos para poder passar mensagens para as pessoas e também com o objetivo de preservar a memória histórica de seu povo. Há três mil anos, não havia explicações científicas para grande parte dos fenômenos da natureza ou para os acontecimentos históricos.

Portanto, para buscar um significado para os fatos políticos, econômicos e sociais, os gregos criaram uma série de histórias, de origem imaginativa, que eram transmitidas, principalmente, através da literatura oral. 

Grande parte destas lendas e mitos chegou até os dias de hoje e são importantes fontes de informações para entendermos a história da civilização da Grécia Antiga. São histórias riquíssimas em dados psicológicos, econômicos, materiais, artísticos,  políticos e culturais.



Entendendo a Mitologia Grega.  

Os gregos antigos enxergavam vida em quase tudo que os cercavam, e buscavam explicações para tudo. A imaginação fértil deste povo criou personagens e figuras mitológicas das mais diversas. Heróis, deuses, ninfas, titãs e centauros habitavam o mundo material, influenciando em suas vidas. Bastava ler os sinais da natureza, para conseguir atingir seus objetivos. A pitonisa, espécie de sacerdotisa, era uma importante personagem neste contexto. Os gregos a consultavam em seus oráculos para saber sobre as coisas que estavam acontecendo e também sobre o futuro. Quase sempre, a pitonisa buscava explicações mitológicas para tais acontecimentos. Agradar uma divindade era condição fundamental para atingir bons resultados na vida material. Um trabalhador do comércio, por exemplo, deveria deixar o deus Hermes sempre satisfeito, para conseguir bons resultados em seu trabalho.


 
Os principais seres mitológicos da Grécia Antiga eram :

- Heróis : seres mortais, filhos de deuses com seres humanos. Exemplos : Herácles ou Hércules e Aquiles.
- Ninfas: seres femininos que habitavam os campos e bosques, levando alegria e felicidade.
- Sátiros : figura com corpo de homem, chifres e patas de bode.
- Centauros : corpo formado por uma metade de homem e outra de cavalo.
- Sereias : mulheres com metade do corpo de peixe, atraíam os marinheiros com seus cantos atraentes.
- Górgonas : mulheres, espécies de monstros, com cabelos de serpentes. Exemplo: Medusa
- Quimera: mistura de leão e cabra, soltavam fogo pelas ventas.

 - Medusa: mulher com serpentes na cabeça

 Obra de Bernini - Museus Capitolinos, Roma.




 O Minotauro 

É um dos mitos mais conhecidos e já foi tema de filmes, desenhos animados, peças de teatro, jogos etc. Esse monstro tinha corpo de homem e cabeça de touro. Forte e feroz, habitava um labirinto na ilha de Creta. Alimentava-se de sete rapazes e sete moças gregas, que deveriam ser enviadas pelo rei Egeu ao Rei Minos, que os enviavam ao labirinto. Muitos gregos tentaram matar o minotauro, porém acabavam se perdendo no labirinto ou mortos pelo monstro.





Busto do Minotauro - Museu Arqueológico Nacional de Atenas.



Certo dia, o rei Egeu resolveu enviar para a ilha de Creta seu filho, Teseu, que deveria matar o minotauro. Teseu recebeu da filha do rei de Creta, Ariadne, um novelo de lã e uma espada. O herói entrou no labirinto, matou o Minotauro com um golpe de espada e saiu usando o fio de lã que havia marcado todo o caminho percorrido.



Deuses gregos
 

De acordo com o gregos, os deuses habitavam o topo do Monte Olimpo, principal montanha da Grécia Antiga. Deste local, comandavam o trabalho e as relações sociais e políticas dos seres humanos. Os deuses gregos eram imortais, porém possuíam características de seres humanos. 
Ciúmes, inveja, traição e violência também eram características encontradas no Olimpo. Muitas vezes, apaixonavam-se por mortais e acabavam tendo filhos com estes. Desta união entre deuses e mortais surgiam os heróis.



Conheça os principais deuses gregos :
 


Zeus - deus de todos os deuses, senhor do Céu.



 
  Afrodite - deusa do amor, sexo e beleza.



 Poseidon - deus dos mares 
 


Poseidon




  Hades - deus das almas dos mortos, dos cemitérios e do subterrâneo.
 


Apolo - deus da luz e das obras de artes.
 



 Apolo e as Ninfas - de Françõis Girardon (1666 - 73), na Gruta de Apolo em Versalhes



Hera - deusa dos casamentos e da maternidade.



  Ártemis - deusa da caça e da vida selvagem.
 


 Ares - divindade da guerra.
 


 
 Ares



Atena Giustiniani - cópia romana de original grego atribuído a Fídias. Museus Vaticano.

Atena - deusa da sabedoria e da serenidade. Protetora da cidade de Atenas.




 Cronos - deus da agricultura que também simbolizava o tempo.
 



 Cronos



Atribuído a Fídias. Hermes Logios, cópia romana - século I - II - Museu Nacional Romano, Roma.

Hermes - mensageiro dos deuses, representava o comércio e as comunicações.
 


 Hefesto - divindade do fogo e do trabalho. 




 A força de Vulcano, pintura de Velázques - 1630.




 Fontes: Enciclopédia da Mitologia Grega, imagens do Google.


quinta-feira, 8 de março de 2012

Poema de Cora Coralina - Das Pedras






Das Pedras

Ajuntei todas as pedras
que vieram sobre mim.
Levantei uma escada muito alta
e no alto subi.

Teci um tapete floreado
e no sonho me perdi.
 

Uma estrada,
um leito,
uma casa,
um companheiro.
Tudo de pedra.
 

Entre pedras
cresceu a minha poesia.
Minha vida...
Quebrando pedras
e plantando flores.
 

Entre pedras que me esmagavam
Levantei a pedra rude
dos meus versos.


(Cora Coralina)

Poema - Transfiguração
























Transfiguração 



Tens agora outro rosto, outra beleza:

Um rosto que é preciso imaginar,

E uma beleza mais furtiva ainda…

Assim te modelaram, caprichosas,

As sombras da lonjura,

Mãos irreais que tornam irreal

O barro que nos foge da retina.

Barro que em ti passou de luz carnal

A bruma feminina….



Mas nesse novo encanto

Te conjuro

Que permaneças.

Distante e preservada na distância.

Olímpica recusa, disfarçada

De terrena promessa

Feita aos olhos tentados e descrentes.

Nenhum mito regressa…

Todas as deusas são mulheres ausentes…




Miguel Torga
Coimbra, 20 de Março de 1963
Diário IX

Retratos de Mulheres nas artes plásticas.

Nu, de Tarsila do Amaral - 1923




Pablo Picasso - 1910





Mulher sentada com ramo de flores, de Ismael Nery - 1922




Gestação, de Ismael Nery - 1927




Maternidade, de Tarsila do Amaral - 1938




Retrato de Mulher, de Benedito José Tobias - c. 1930 - 1940




Retrato de Mulher Nua, Female 




Mona Lisa, de Leonardo da Vinci - 1503 1507



Retrato de mulher jovem, de Sandro Botticelli - 1445 - 1510






The Sleeping Vênus, de Giorgione - 1510




Costureiras, de Tarsila de Amaral - 1950





Auto-Retrato, de Tarsila do Amaral - 1924





Retrato de mulher, de Yasui Sotaro - 1930.





Retrato de mulher, sem título - Pinacoteca





Retrato de mulher, Francisco de Goya - 1746 - 1828






Retrato de mulher, de Robert Campin - 1375 - 1444.




Retrato de sua irmã Bertha, de Albert Gustaf Aristides Edelfelt - 1881




Retrato de mulher do século XX, Armando Bruno -Museu Nacional do Teatro.





Mulheres contra-revolução, de Marie Curie - 1867 - 1934.



A MÃO DE OBRA DE AFRICANOS NO BRASIL -SÉC.XIX

                                                          


Jean-Baptiste Debret foi um importante artista plástico (pintor e desenhista) francês. Nasceu em 18 de abril de 1768, em Paris, e faleceu na mesma cidade em 28 de junho de 1848. Debret integrou a Missão Artística Francesa que chegou ao Brasil em 26 de março de 1816. Suas obras formam um importante acervo para o estudo da história e cultura brasileira da primeira metade do século XIX.


Rugendas, Johan Moritz (1802-1858), pintor alemão de cenas brasileiras, nasceu em Augsburg, em 29 de março de 1802 e faleceu em Weilheim, em 29 de maio de 1858. Chegou ao Brasil, em 1821, na expedição do barão de Langsdorff, viajando pelo país a fim de coletar material para pinturas e desenhos. Visitou, também, outros países hispano-americanos com o mesmo objetivo. Sua temática era predominantemente paisagística e de representação de cenas do cotidiano. Escreveu o livro Viagem pitoresca ao Brasil.



Fonte: Enciclopédia Koogan-Houaiss