quarta-feira, 9 de maio de 2012

DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL



"Minha alma deseja a revolução e minhas mãos trabalham para a revolução. Porém o que é revolução ? Uma revolução é a mudança total das leis naturais e sociais. Uma revolução só pode se realizar quando a morte vence a vida, porém ao mesmo tempo a morte é o nada e o nada é contra-revolucionário".




FICHA TÉCNICA

Ficção, longa-metragem, 35mm, preto e branco. Rio de Janeiro, 1964, 3.400 metros,125 minutos; Companhia produtora: Copacabana Filmes; Distribuição: Copacabana Filmes; Lançamento: 10 de julho de 1964, Rio de Janeiro (Caruso, Bruni-Flamengo e Ópera); Produtor: Luiz Augusto Mendes; Produtores associados: Jarbas Barbosa, Glauber Rocha; Diretor de produção: Agnaldo Azevedo; Diretor:Glauber Rocha; Assistentes de direção: Paulo Gil Soares, Walter Lima.Jr.;Argumentista: Glauber Rocha; Roteiristas: Glauber Rocha, Walter Lima Jr.; Diálogos: Glauber Rocha, Paulo Gil Soares; Direção de fotografia e câmera: Waldemar Lima; Cenógrafo e Figurinista: Paulo Gil Soares; Letreiros: Lygia Pape;Gravuras: Calasans Neto; Cartaz:Rogério Duarte; Música: Villa-Lobos; Canções: Sérgio Ricardo (melodia), Glauber Rocha (letra); Violão e voz: Sérgio Ricardo;Continuidade: Walter Lima Jr.; Locações: Monte Santo, Feira de Santana, Salvador, Canché (Cocorobó), Canudos (BA); Prêmios: Prêmio da Crítica Mexicana - Festival Internacional de Acapulco, México, 1964; Grande Prêmio Festival de Cinema Livre, Itália, 1964; Náiade de Ouro - Festival Internacional de Porreta Terme, Itália, 1964; Troféu Saci/ Melhor Ator Coadjuvante: Maurício do Valle, 1965; Grande Prêmio Latino Americano - I Festival Internacional de Mar del Plata, Argentina, 1966.Elenco: Geraldo Del Rey - Manuel; Yoná Magalhães - Rosa; Maurício do Valle - Antonio das Mortes; Othon Bastos - Corisco, Lídio Silva - Sebastião; Sônia dos Humildes - Dadá; Marrom - Cego Julio; Antônio Pinto - Coronel; João Gama - Padre; Milton Roda - Coronel Moraes; Roque; Moradores de Monte Santo.

SINOPSE
"Eu parti do texto poético. A origem de "Deus e o Diabo..." é uma língua metafórica, a literatura de cordel. No Nordeste, os cegos, nos circos, nas feiras, nos teatros populares, começam uma história cantando: eu vou lhes contar uma história que é de verdade e de imaginação, ou então que é imaginação verdadeira. Toda minha formação foi feita nesse clima. A idéia do filme me veio espontaneamente."
Glauber Rocha

COMENTÁRIO

"Que conta Deus e o Diabo na Terra do Sol ?

O argumento de Deus e o Diabo na Terra do Sol é uma síntese de fatos e personagens históricos concretos (o cangaço e o mandonismo local dos coronéis no Nordeste, o beatismo ou misticismo de base milenarista, a literatura de Cordel, Lampião e Corisco, Euclides da Cunha e Guimarães Rosa, Antônio Conselheiro e Antônio Pernambucano (jagunço ou assassino de encomenda de Vitória da Conquista). O vaqueiro Manuel se revolta contra a exploração de que é vítima por parte do coronel Morais e mata-o durante uma briga. Foge com a esposa Rosa da perseguição dos jagunços e acaba se integrando aos seguidores do beato Sebastião, no lugar sagrado de Monte Santo, que promete a prosperidade e o fim dos sofrimentos através do retorno a um catolicismo místico e ritual. Ao presenciar o sacrifício de uma criança, Rosa mata o beato. Ao mesmo tempo, o matador de aluguel Antônio das Mortes, a serviço dos coronéis latifundiários e da Igreja Católica, extermina os seguidores do beato. Em nova fuga, Manoel e Rosa se juntam a Corisco, o diabo loiro, companheiro de Lampião que sobreviveu ao massacre do bando. Antônio das Mortes persegue de forma implacável e termina por matar e degolar Corisco, seguindo-se nova fuga de Manoel e Rosa, desta vez em direção ao mar.



No início, conta a estória, tão freqüente na literatura verista do século XIX, do camponês que, num momento de desespero, mata o patrão escravista. Mas, desde o momento em que Manuel se embrenha na caatinga e se junta ao bando dos fanáticos seguidores do Santo Sebastião -- um profeta negro que afirma que um dia o mar vai virar sertão e o sertão vai virar mar e que o sol choverá ouro e que, portanto, para provocar esse milagre, é preciso matar todos os que fazem o mal, isto é, principalmente os padres e as prostitutas --, desse momento em diante, o filme conta algo de muito moderno: as alucinações, as visões, as práticas e os modos de conduta aberrantes que a fome, a miséria e a ignorância podem inspirar num povo desesperado.
Em São Sebastião e seus seguidores, fome, ignorância e miséria fazem arder uma loucura que os impele até aos sacrifícios humanos; no cangaceiro Corisco, a cujo bando Manuel se junta depois que o Santo Sebastião e seu grupo são destruídos, fome, ignorância e miséria fomentam uma ferocidade insaciável, sistemática, demoníaca.
Assim, o Santo Sebastião e Corisco representam Deus e o diabo, ambos deformados e transtornados pela solidão do sertão. De maneira característica, a solução do problema social representado por figuras como o Santo Sebastião e Corisco é confiada à carabina infalível deAntônio das Mortes, matador profissional, figura sinistra, melancólica e lógica de assassino visionário, o qual imagina que, uma vez eliminados o diabo (Corisco) e Deus (o Santo Sebastião), haverá então a guerra de libertação, ou melhor, a revolução, que redimirá o sertão. É assim que Antônio das Mortes fulmina o profeta e o bandido. Manuel, símbolo do povo brasileiro, escapa, testemunha viva da verdade das teses do filme."
Alberto Moravia, trecho de artigo no semanário L’Espresso, 16/08/64, Roma.

Fonte: www.tempoglauber.com.br



Raul Seixas - Conversa para boi dormir...

                          

CONVERSA PRA BOI DORMIR

Raul Seixas

Jota batista batizou Jesus,
De água e sal e o sinal da cruz.
Com a profecia que já "tava" esquecida,
Para que seu povo encontrasse a luz!

Há quanto tempo que o brasil não ganha?
Isso é conversa para boi dormir!
Espero em Deus, porque ele é brasileiro,
Pra trazer o progresso que eu não vejo aqui.

André Sidane só faz confusão.
Sonhei com ele e mijei no colchão!

Não tenho saco pra ouvir artista,
Comendo alpiste na mesma estação.
Cantando regra com o rei na barriga,
E só de preguiça não mudou o botão.
Amigo Nero tocou fogo em roma,
Com a mania de ser inventor,
Mas como a história sempre se repete,
De tanto feitiço ele se enfeitiçou.
Falou que Deus não quis dá asa à cobra
Seria um bicho ameaçador.
Mas tem uma peste delas avoando
Que o diabo fez enquanto Deus largou!

O tempo passa, eu tô ficando velho.
Andam brincando com a vida da gente.
Direito eu tenho mas anda escondido.
Chicotinho queimado, tá ficando quente!
Hum...!
Tá ficando quente!

(E diz que Deus não deu asa a cobra!)

Tá ficando quente!





terça-feira, 8 de maio de 2012

Integra Pixinguinha

                 


No dia 23 de abril deste ano, Pixinguinha, um dos maiores compositores da música brasileira, completaria 115 anos de idade. Em comemoração à data, o Instituto Moreira Salles e a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo lançou o livro Pixinguinha - Inéditas e redescobertas, com 20 partituras. Organizada por Bia Paes Leme, coordenadora do acervo de música do Instituto Moreira Salles, Pedro Aragão, bandolinista e regente, e Paulo Aragão, violonista e arranjador, a publicação reúne 20 partituras, dentre elas nove inéditas e outras 11 há muito tempo inacessíveis ao grande público. 

A série de partituras inéditas reflete períodos históricos e influências diversas da carreira musical de Pixinguinha (1897-1973), e pode ser dividida em diferentes conjuntos, segundo Pedro Aragão em seu texto de introdução ao livro. O primeiro, representado por composições que remetem à linguagem do choro do século XIX, foi produzido durante a juventude de Pixinguinha. No segundo conjunto, poderiam ser agrupadas músicas nas quais se nota a influência da efervescência cultural do Rio de Janeiro nas duas primeiras décadas do século XX, quando a então capital da República atraía populações de todas as partes do país e do mundo, reunindo influências musicais tão díspares como as da música nordestina e norte-americana. Um terceiro conjunto apresenta Pixinguinha em plena maturidade como compositor. São choros e valsas que facilmente poderiam ser enquadrados na categoria de clássicos por sua genial invenção melódica e coesão entre as partes. 

Na categoria das redescobertas, foram encontradas joias musicais ignoradas até hoje que revelam facetas pouco conhecidas do compositor. Trata-se de uma seleção de músicas cujas edições, em sua maioria das décadas de 1940 e 1960, encontravam-se esgotadas há muito tempo. Muitas das edições também traziam erros frequentes de melodia e harmonia. A seleção traz choros, valsas, tangos e outros gêneros, cuidadosamente revisados e harmonizados.







ARTE: O Direito e as Transgressões Contemporâneas

"A morte da arte, e a morte do autor: são dois sofismas contemporâneos, dois pleonasmos, pois se não há arte, não haverá autor."

              


Palestra proferida em 25/02/2011 pelo professor e poeta Affonso Romano de Sant´Anna, no auditório da EMAG. Em suas reflexões disse: "Transgredir passou a ser a norma e não transgredir passou a ser exceção. O artista transgride. O sistema incorpora a transgressão". Esta palestra fez parte do curso "A Justiça na Literatura, Teatro, Cinema e Artes Visuais", organizado pela Escola de Magistrados da Justiça Federal da 3ª Região.



segunda-feira, 7 de maio de 2012

Legião Urbana - As Flores do Mal

"Volta pro esgoto baby
e vê se alguém lhe quer"

Brindemos As Flores do Mal do Amor!!!


                       


AS FLORES DO MAL

LEGIÃO URBANA

Eu quis você
E me perdi
Você não viu
E eu não senti
Não acredito nem vou julgar
Você sorriu, ficou e quis me provocar
Quis dar uma volta em todo o mundo
Mas não é bem assim que as coisas são
Seu interesse é só traição

E mentir é fácil demais
Mentir é fácil demais
Mentir é fácil demais
Mentir é fácil demais

Tua indecência não serve mais
Tão decadente e tanto faz
Quais são as regras? O que ficou?
O seu cinismo essa sedução
Volta pro esgoto baby
Vê se alguém lhe quer
O que ficou é esse modelito da estação passada
Extorsão e drogas demais
Todos já sabem o que você faz
Teu perfume barato, teus truques banais

Você acabou ficando pra trás
Porque mentir é fácil demais
Mentir é fácil demais
Mentir é fácil demais
Mentir é fácil demais
Volta pro esgoto baby
e vê se alguém lhe quer



Barão Vermelho - 'Flores Do Mal' (1992)

"A mesma mão que acaricia, fere e sai furtiva"


Linda canção da banda Barão Vermelho! O título da música é inspirado nas As Flores do Mal (1857) do poeta francês Charles Baudelaire, nesta música a banda canta o amor ao avesso, o amor que desemboca no mal, ou seja, o excesso e a transbordação dos sentimentos, onde a força da paixão introduz uma tão violenta desordem, que a felicidade desfrutável, é tão grande que é comparável ao seu contrário, ao sofrimento. Segundo Georges Bataille nos seus escritos sobre "O Erotismo" (1957): A paixão é o sentimento que arrasta-nos para o sofrimento, e introduz a pertubação e a desordem. 
Pertubação/ou desordem, fiquem ao som desta linda canção!!! 


                    

FLORES DO MAL 

Barão Vermelho

Não me atire no mar de solidão
Você tem a faca, o queijo e meu coração nas mãos
Não me retalhe em escândalos
Nem tão pouco cobre o perdão
Deixe que eu cure a ferida dessa louca paixão
Que acabou feito um sonho
Foi o meu inferno, foi o meu descanso
A mesma mão que acaricia, fere e sai furtiva
Faz do amor uma história triste
O bem que você me fez nunca foi real
Da semente mais rica, nasceram flores do mal
Huummm....
Não me atire no mar de solidão
Você tem a faca, o queijo e meu coração nas mãos
Não me retalhe em escândalos
Nem tão pouco cobre o perdão
Deixe que eu cure a ferida dessa louca paixão
Não me esqueça por tão pouco
Nem diga adeus por engano
Mas é sempre assim
A mesma mão que acaricia, fere e sai furtiva
Faz do amor uma história triste
O bem que você me fez nunca foi real
Da semente mais rica, nasceram flores do mal 



sábado, 5 de maio de 2012

Entrevista de Clarice Lispector

    


Esta importante entrevista com a nossa Clarice Lispector foi apresentada pelo programa Panorama Especial e transmitida pela TV Cultura em 1977. Através desse encontro com Clarice nós percebemos o quanto Ela é natural e existencialista ao tratar do Homem e de si mesma, ela consegue expor em seus trabalhos todos esses sentimentos que fazem parte da vida do sujeito como o Medo, Angústia, Desprezo, dentre outros afirmados pela própria Clarice Lispector.