domingo, 2 de junho de 2013

Conto das nove luas

Apenas uma luz

 – Desde quando começaste a gostar de mim?
A cabeça apoiada em seu ombro, Mercedes, lábios entreabertos, sorri curiosa. Na casa imersa em silêncio, Antonio atiçando o fogo, respondeu:
 – Tinha doze anos, quando meus pais, deixando o Rio Grande, viemos para São Paulo. Aqui frequentei o liceu e me formei. Morávamos, então, num bairro tranquilo, de casas acolhedoras e jardins espaçosos. Todas as tardes, ao chegar do colégio, trepava na minha árvore preferida com meus livros de aventuras. Um dia, avistei um caminhão de mudanças estacionando em frente a uma das casas de dois andares, cujo jardim dos fundos limitava com o nosso. Que bom! Ia ter com quem jogar futebol! Os dias passavam e nada. (Nossos vizinhos eram recém-casados.) Me habituei a observá-los podando as roseiras, cuidando da grama, bem cortado e verde. Vez por outra, acenávamos de longe. Naquele ano, passamos os três meses de verão em Santos. Ao voltar, fiquei contente em revê-los, eu na minha árvore, eles em seu belo jardim. Acho que foi em julho: o vento já soprava fresco e por toda a parte um perfume de eucalipto. Estranhei vê-lo sozinho caminhando de um lado para outro a consultar o relógio que amiúde retirava do bolso. Algo o estava preocupando, e a mim também, pois já tinha- lhe amizade. Era quase a hora do crepúsculo (me lembro como fosse hoje), os sinos iam dar as seis, quando ela, aparecendo de repente, cobriu-lhe os olhos com as mãos, surpreendendo-o. Subitamente, tomando-lhe as mãos, colocou-as sobre seu ventre. Entendi, então, entre os beijos e sorrisos te davam as boas-vindas. Sem saber, comecei a te querer bem desde aquele primeiro momento em que eras apenas uma luz nos olhos de teus pais.


NASCIMENTO, Elomar. Conto das nove luas. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, de 1987.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

POESIA: Cora Coralina - Pai e Filho

PAI E FILHO

Não são os filhos que nos devem. São os pais que devem a eles.

Estatuto do passado. Resquício do Pater Familias do Direito Romano - O pai tem todos os direitos e o filhos, todos os deveres. 
Assim era, assim foi. 
Hoje, sem precisar leis, nem decretos, nem códigos, pela força da evolução humana, através de séculos, vencendo resistências, ab-rogando artigos e parágrafos, se fez o inverso.
O pai tem todos os deveres e o filho todos os direitos. 
Princípio de justiça incontestado pelos próprios pais e juízes destes tempos novos.

Nego o amor dos pais do passado, salvante exceções.
O que eles sentiam era o orgulho da posse, o domínio sobre sua descendência.
Tudo, todos, judiciários e adultos. Sua hermenêutica sutil de leis, interpretação, a favor dos adultos.
Os adultos, pai ou mãe, levavam sempre o melhor. Aí estão os inventários antigos. Os velhos autos comprovando interesses mesquinhos, fraudes, despojando filhos menores, indefesos, de bens a eles devidos.
Na casa antiga, castigos corporais e humilhantes, coerção, atitudes impostas, ascendências férrea, obediência cega.
Filhos foram impiedosamente sacrificados e despojados.
E para alguma rebeldia indomável, lá vinha a ameaça terrível, impressionante da maldição mãe, a que poucas resistiam.
Do resto prefiro não esmiuçar.



Cora Coralina, Melhores Poemas, seleção e apresentação Darcy França Denófrio, 3ª ed. rev. e ampliada - São Paulo: Global, 2004.

sábado, 29 de setembro de 2012

Nietzsche - Human, All Too Human (Full BBC Documentary) - Legendado - 1º...

       


Friedrich Wilhelm Nietzsche, (15 de outubro de 1844 - 25 de agosto de 1900) foi um filósofo do século 19, alemão, poeta, compositor e filólogo clássico. Escreveu textos críticos sobre a religião, a moral, a cultura contemporânea, filosofia e ciência, mostrando uma predileção por ironia, metáfora e aforismo.

A influência de Nietzsche continua a ser substancial dentro e além da filosofia, nomeadamente no niilismo, existencialismo e pós-modernismo. Seu estilo e questionamento radical do valor e objetividade da verdade resultaram em muitos comentários e interpretação, principalmente na tradição continental. Suas idéias principais incluem a morte de Deus, o perspectivismo, o Übermensch, amor fati, o eterno retorno, ea vontade de poder. Central à sua filosofia é a idéia de "vida-afirmação", que envolve um questionamento honesto de todas as doutrinas que as energias expansivas vida de drenagem, porém socialmente prevalente essas opiniões poderiam ser.

Nietzsche começou sua carreira como um filólogo clássico antes de ligar para a filosofia. Em 1869, com a idade de 24 ele foi nomeado para a cadeira de Filologia Clássica na Universidade de Basel (o mais jovem indivíduo ter realizado esta posição), mas demitiu-se no verão de 1879 devido a problemas de saúde que o atormentava mais de sua vida. Em 1889 ele tornou-se doente mental com o que foi então caracterizado como paralisia geral atípica atribuída a sífilis terciária, um diagnóstico que, desde então, entrar em question.He viveu seus últimos anos sob os cuidados de sua mãe até sua morte em 1897, então sob os cuidados de sua irmã até sua morte em 1900.

Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Nietzsche

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Celso Blues Boy (Sempre Brilhará) - Canecão 2008

Homenagem ao grande músico do blues brasileiro, Celso Blues Boy! Guardarei na memória todos os shows que fui e curti, pois faz parte da minha história... Descanse em paz!!!

   

Sempre Brilhará

Por dentro eu sei
Que nunca senti
Nada além de amor
Em tudo o que vivi
Estou deixando o céu
Rumo ao inferno
Só, sem você
Mas não há nada a fazer

As coisas são assim
Prá que se lamentar
Se dentro de nós
Sempre existirá
Sempre existirá

Toda esperança
Sempre brilhará
Do outro lado da noite
Aonde você está
Espantarei mil demônios
Não hesitarei
Andarei na escuridão
Dessa guerra sem fim

terça-feira, 24 de julho de 2012

Trajetos Noturnos

Curta de animação produzido em Stop-Motion no qual se remete a um trajeto noturno pela cidade de BH sob o olhar de um suposto andante. 

Por Daniel Neto




segunda-feira, 23 de julho de 2012

Conto: A Máscara da Morte Rubra - Edgar Allan Poe



A “Morte Rubra” havia muito devastava o país. Jamais se viu peste tão fatal ou tão hedionda. O sangue era sua revelação e sua marca. A cor vermelha e o horror do sangue. Surgia com dores agudas e súbita tontura, seguidas de profuso sangramento pelos poros, e então a morte. As manchas rubras no corpo e principalmente no rosto da vítima eram o estigma da peste que a privava da ajuda e compaixão dos semelhantes. E entre o aparecimento, a evolução e o fim da doença não se passava mais de meia hora.
Mas o príncipe Próspero era feliz, destemido e astuto. Quando a população de seus domínios se reduziu à metade, mandou vir à sua presença um milhar de amigos sadios e divertidos dentre os cavalheiros e damas da corte e com eles retirou-se, em total reclusão, para um dos seus mosteiros encastelados. Era uma construção imensa e magnífica, criação do gosto excêntrico, mas grandioso do próprio príncipe. Circundava-a a muralha forte e muito alta, com portas de ferro. Depois de entrarem, os cortesãos trouxeram fornalhas e grandes martelos para soldar os ferrolhos. Resolveram não permitir qualquer meio de entrada ou saída aos súbitos impulsos de desespero dos que estavam fora ou aos furores do que estavam dentro. O mosteiro dispunha de amplas provisões. Com essas precauções, os cortesãos podiam desafiar o contágio. O mundo externo que cuidasse de si mesmo. Nesse meio-tempo era tolice atormentar-se ou pensar nisso. O príncipe havia providenciado toda a espécie de divertimentos. Havia bufões, improvisadores, dançarinos, músicos, beleza, vinho. Lá dentro, tudo isso mais segurança. Lá fora, a “Morte Rubra”.
Lá pelo final do quinto ou sexto mês de reclusão, enquanto a peste grassava mais furiosamente lá fora, o príncipe Próspero brindou os mil amigos com um magnífico baile de máscaras.
Que voluptuosa cena a daquela mascarada! Mas antes descrevamos os salões em que ela se desenrolava. Era uma série imperial de sete salões. Em muitos palácios, porém, esses salões formam uma perspectiva longa e reta, quando as portas se abrem até se encostarem nas paredes de ambos os lados, de tal modo que a vista de toda essa sucessão é quase desimpedida. Ali, a situação era muito diferente, como se devia esperar da paixão do príncipe pelo fantástico. Os salões estavam dispostos de maneira tão irregular que os olhos só podiam abarcar pouco mais de cada um por vez. Havia um desvio abrupto a cada vinte ou trinta metros e, a cada desvio, um efeito novo. À direita e à esquerda, no meio de cada parede, uma alta e estreita janela gótica dava para um corredor fechado que acompanhava as curvas do salão. A cor dos vitrais dessas janelas variava de acordo com a tonalidade dominante na decoração do salão para o qual se abriam. O da extremidade leste, por exemplo, era azul – e de um azul intenso eram suas janelas. No segundo salão os ornamentos e tapeçarias, assim como as vidraças, eram cor de púrpura. O Terceiro era inteiramente verde, e verdes também os caixilhos das janelas. O quarto estava mobiliado e iluminado com cor alaranjada. O quinto era branco, e o sexto, roxo. O sétimo salão estava todo coberto por tapeçarias de veludo negro, que pendiam do teto e pelas paredes, caindo em pesadas dobras sobre um tapete do mesmo material e tonalidade. Apenas nesse salão, porém, a cor das janelas deixava de corresponder à das decorações. Aa vidraças, ali, eram rubras – de uma violenta cor de sangue.
Ora, em nenhum dos sete salões havia qualquer lâmpada ou candelabro, em meio à profusão de ornamentos de ouro espalhados por todos os cantos ou dependurados do teto. Nenhuma lâmpada ou vela iluminava o interior da seqüência de salões. Mas nos corredores que circundavam a suíte havia, diante de cada janela, um pesado tripé com um braseiro, que projetava seus raios pelos vitrais coloridos e, assim, iluminava brilhantemente a sala, produzindo grande número de efeitos vistosos e fantásticos. Mas no salão oeste, ou negro, o efeito do clarão de luz que jorrava sobre as cortinas escuras através das vidraças da cor do sangue era desagradável ao extremo e produzia uma expressão tão desvairada no semblante dos que entravam que poucos no grupo sentiam ousadia bastante para ali penetrar.
Era também nesse apartamento que se achava, encostado à parede oeste, um gigantesco relógio de ébano. Seu pêndulo oscilava de um lado para o outro com um bater surdo, pesado, monótono; quando o ponteiro dos minutos completava o circuito do mostrador e o relógio ia dar as horas, de seus pulmões de bronze brotava um som claro, alto, grave e extremamente musical, mas em tom tão enfático e peculiar que, ao final de cada hora, os músicos da orquestra se viam obrigados a interromper momentaneamente a apresentação para escutar-lhe o som; com isso os dançarinos forçosamente tinham de parar as evoluções da valsa e, por um breve instante, todo o alegre grupo mostrava-se perturbado; enquanto ainda soavam os carrilhões do relógio, observava-se que os mais frívolos empalideciam e os mais velhos e serenos passavam a mão pela teste, como se estivessem num confuso devaneio ou meditação. Mas, assim que os ecos desapareciam interiormente, risinhos levianos logo se riam do próprio nervosismo e insensatez e, em sussurros, diziam uns aos outros que o próximo soar de horas não produziria neles a mesma emoção; mas, após um lapso de sessenta minutos (que abrangem três mil e seiscentos segundos do tempo que voa), quando o relógio dava novamente as horas, acontecia a mesma perturbação e idênticos tremores e gestos de meditação de antes.
Apesar disso tudo, que festa alegre e magnífica! Os gostos do príncipe eram estranhos. Sabia combinar cores e efeitos. Menosprezando a mera decoração da moda, seus arranjos mostravam-se ousados e veementes, e suas idéias brilhavam com um esplendor bárbaro. Alguns podiam considerá-lo louco, sendo desmentidos por seus seguidores. Mas era preciso ouvi-lo, vê-lo e tocá-lo para convencer-se disso.
Para essa grande festa, ele próprio dirigiu, em grande parte, a ornamentação cambiante dos sete salões, e foi seu próprio gosto que inspirou as fantasias dos foliões. Claro que eram grotescas. Havia muito brilho, resplendor, malícia e fantasia – muito daquilo que foi visto depois no Hernani. Havia figuras fantásticas com membros e adornos que não combinavam. Havia caprichos delirantes como se tivessem sido modelados por um louco. Havia muito de beleza, muito de libertinagem e de extravagância, algo de terrível e um tanto daquilo que poderia despertar repulsa. De um ao outro, pelos sete salões, desfilava majestosamente, na verdade, uma multidão de sonhos. E eles – os sonhos – giravam sem parar, assumindo a cor de cada salão e fazendo com que a impetuosa música da orquestra parecesse o eco de seus passos. Daí a pouco soa o relógio de ébano colocado no salão de veludo. Então, por um momento, tudo se imobiliza e é tudo silêncio, menos a voz do relógio. Os sonhos se congelam como estão. Mas os ecos das batidas extinguem-se – duraram apenas um instante – e risos levianos, mal reprimidos, flutuam atrás dos ecos, à medida que vão morrendo. E logo a música cresce de novo, e os sonhos revivem e rodopiam mais alegremente que nunca, assumindo as cores das muitas janelas multicoloridas, através das quais fluem os raios luminosos dos tripés. Ao salão que fica a mais oeste de todos os sete, porém, nenhum dos mascarados se aventura agora; pois a noite está se aproximando do fim: ali flui uma luz mais vermelha pelos vitrais cor de sangue e o negror das cortinas escuras apavora; para aquele que pousa o pé no tapete negro, do relógio de ébano ali perto chega um clangor ensurdecido mais solene e enfático que aquele que atinge os ouvidos dos que se entregam às alegrias nos salões mais afastados.
Mas nesses outros salões cheios de gente batia febril o coração da vida. E o festim continuou em remoinhos até que, afinal, começou a soar meia-noite no relógio. Então a música cessou, como contei, as evoluções dos dançarinos se aquietaram, e, como antes, tudo ficou intranqüilamente imobilizado. Mas agora iriam ser doze as badaladas do relógio; e desse modo mais pensamentos talvez tenham se infiltrado, por mais tempo, nas meditações dos mais pensativos, entre aqueles que se divertiam. E assim também aconteceu, talvez, que, antes de os últimos ecos da última badalada terem mergulhado inteiramente no silêncio, muitos indivíduos na multidão puderam perceber a presença de uma figura mascarada que antes não chamara a atenção de ninguém. E, ao se espalhar em sussurros o rumor dessa nova presença, elevou-se aos poucos de todo o grupo um zumbido ou murmúrio que expressava a reprovação e surpresa – e, finalmente, terror, horror e repulsa.
Numa reunião de fantasmas como esta que pintei, pode-se muito bem supor que nenhuma aparência comum poderia causar tal sensação. Na verdade, a liberdade da mascarada dessa noite era praticamente ilimitada; mas a figura em questão ultrapassava o próprio Herodes, indo além dos limites até do indefinido decoro do príncipe. Existem cordas, nos corações dos mais indiferentes, que não podem ser tocadas sem emoção. Até para os totalmente insensíveis, para quem a vida e morte são alvo de igual gracejo, existem assuntos com os quais não se pode brincar. Na verdade, todo o grupo parecia agora sentir profundamente que na fantasia e no rosto do estranho não existia graça nem decoro. A figura era alta e esquálida, envolta do pés a cabeça em vestes mortuárias. A máscara que escondia o rosto procurava assemelhar-se de tal forma com a expressão enrijecida de um cadáver que até mesmo o exame mais atento teria dificuldade em descobrir o engano. Tudo isso poderia ter sido tolerado, e até aprovado, pelos loucos participantes da festa, se o mascarado não tivesse ousado encarnar o tipo da Morte Rubra. Seu vestuário estava borrifado de sangue, e sua alta testa, assim como o restante do rosto, salpicada com o horror rubro.
Quando os olhos do príncipe Próspero pousaram nessa imagem espectral (que andava entre os convivas com movimentos lentos e solenes, como se quisesse manter-se à altura do papel), todos perceberam que ele foi assaltado por um forte estremecimento de terror ou repulsa, num primeiro momento, mas logo o seu semblante tornou-se vermelho de raiva.
- Quem ousa…? perguntou com voz rouca aos convivas que estavam perto – quem ousa nos insultar com essa caçoada blasfema? Peguem esse homem e tirem sua máscara, para sabermos quem será enforcado no alto dos muros, ao amanhecer!
O príncipe Próspero estava na sala leste, ou azul, ao dizer essas palavras. Elas ressoaram pelos sete salões, altas e claras, pois o príncipe era um homem ousado e robusto e a música se calara com um sinal de sua mão.
O príncipe achava-se no salão azul com um grupo de pálidos convivas ao seu lado. Assim que falou, houve um ligeiro movimento dessas pessoas na direção do intruso, que, naquele momento, estava bem ao alcance das mãos, e agora, com passos decididos e firmes, se aproximava do homem que tinha falado. Mas por causa de um certo temor sem nome, que a louca arrogância do mascarado havia inspirado em toda a multidão, não houve ninguém que estendesse a mão para detê-lo; de forma que, desimpedido , passou a um metro do príncipe e, enquanto a vasta multidão, como por um único impulso, se retraía do centro das salas para as paredes, ele continuou seu caminho sem deter-se, no mesmo passo solene e medido que o distinguira desde o inicio, passando do salão azul para o púrpura, do púrpura para o verde, do verde para o alaranjado, e desse ainda para o branco, e daí para o roxo, antes que se fizesse qualquer movimento decisivo para dete-lo. Foi então que o príncipe Próspero, louco de raiva e vergonha por sua momentânea covardia, correu apressadamente pelos seis salões, sem que ninguém o seguisse por causa do terror mortal que tomara conta de todos. Segurando bem alto um punhal desembainhado, aproximou-se, impetuosamente, até cerca de um metro do vulto que se afastava, quando este, ao atingir a extremidade do salão de veludo, virou-se subitamente e enfrentou seu perseguidor. Ouviu-se um grito agudo e o punhal caiu cintilando no tapete negro, sobre o qual, no instante seguinte, tombou prostrado de morte o príncipe Próspero. Então, reunindo a coragem selvagem do desespero, um bando de convivas lançou-se imediatamente no apartamento negro e, agarrando o mascarado, cuja alta figura permanecia ereta e imóvel à sombra do relógio de ébano, soltou um grito de pavor indescritível, ao descobrir que, sob a mortalha e a máscara cadavérica, que agarravam com tamanha violência e grosseria, não havia qualquer forma palpável.
E então reconheceu-se a presença da Morte Rubra. Viera como um ladrão na noite. E um a um foram caindo os foliões pelas salas orvalhadas de sangue, e cada um morreu na mesma posição de desespero em que tombou ao chão. E a vida do relógio de ébano dissolveu-se junto com a vida do último dos dissolutos. E as chamas dos braseiros extinguiram-se. E o domínio ilimitado das Trevas, da Podridão e da Morte Rubra estendeu-se sobre tudo.



Edgar Allan Poe - Histórias Extraordinárias

Friedrich Nietzsche - Humano, Demasiado Humano - Documentário Completo

   


Friedrich Wilhelm Nietzsche, (15 de outubro de 1844 - 25 de agosto de 1900) foi um filósofo do século 19, alemão, poeta, compositor e filólogo clássico. Escreveu textos críticos sobre a religião, a moral, a cultura contemporânea, filosofia e ciência, mostrando uma predileção por ironia, metáfora e aforismo.

A influência de Nietzsche continua a ser substancial dentro e além da filosofia, nomeadamente no niilismo, existencialismo e pós-modernismo. Seu estilo e questionamento radical do valor e objetividade da verdade resultaram em muitos comentários e interpretação, principalmente na tradição continental. Suas idéias principais incluem a morte de Deus, o perspectivismo, o Übermensch, amor fati, o eterno retorno, ea vontade de poder. Central à sua filosofia é a idéia de "vida-afirmação", que envolve um questionamento honesto de todas as doutrinas que as energias expansivas vida de drenagem, porém socialmente prevalente essas opiniões poderiam ser.

Nietzsche começou sua carreira como um filólogo clássico antes de ligar para a filosofia. Em 1869, com a idade de 24 ele foi nomeado para a cadeira de Filologia Clássica na Universidade de Basel (o mais jovem indivíduo ter realizado esta posição), mas demitiu-se no verão de 1879 devido a problemas de saúde que o atormentava mais de sua vida. Em 1889 ele tornou-se doente mental com o que foi então caracterizado como paralisia geral atípica atribuída a sífilis terciária, um diagnóstico que, desde então, entrar em question.He viveu seus últimos anos sob os cuidados de sua mãe até sua morte em 1897, então sob os cuidados de sua irmã até sua morte em 1900.

Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Nietzsche

Poemas - Arthur Rimbaud




"A eternidade é o mar mesclado
ao sol."




Da série Rimbaud in New York, de David Wojnarowicz.


Os corvos
Arthur  Rimbaud

Ó Deus, quando frio é o prado,
Quando as aldeias se abalaram,
Os longos ângelus se calaram...
Sobre o mato descampado
Faça cair dos altos céus
Os queridos corvos deliciosos.

Estranho exército de gritos severos,
Ventos frios atacam vossos ninhos!
Vós, ao longo dos rios daninhos,
Nos caminhos de antigos calvários,
Nas covas e nas fossas
Dispersai-vos, agrupai-vos!

Aos milhares, nos campos de França,
Onde dormem mortos de ontem,
Volteiem, no inverno, afrontem,
Para que cada um repense!
Seja quem clama pelo dever
Ó nosso fúnebre pássaro negro!

Mas, santos do céu, no alto da árvore,
Mastro perdido na noite benta,
Deixem os pássaros de maio
Para quem na floresta acorrenta,
Da grama de onde não se foge,
A derrota sem futuro.



Canção da Mais Alta da Torre I

Ociosa juventude
A tudo oprimida,
Por delicadeza
Perdi minha vida.
Ah! Que venha o dia
Em que os corações se amem.

Eu me dissea: cessa,
E ninguém te via:
E sem a promessa
De mais alta alegria.
Que nada te detenha
Grandiosa retirada.

Tive tanta paciência
Que para sempre esqueço;
Temor e penitência
Aos céus partiram.
E a sede doentia
Me escurece as veias.

Assim o prado
Ao esquecimento deixado,
Engrandece, e floresce
De joio e incenso
Ao zumbir tenso
De cem moscas sujas.

Ah! Tanta viuvez
Da alma que chora
E só tem a imagem
Da Nossa Senhora!
Será que se ora
À Virgem Maria?

Ociosa juventude
A tudo oprimida,
Por delicadeza
Perdi minha vida.
Ah! Que venha o dia
Em que os coraçõres se amem!


Canção da Mais Alta da Torre II

Que venha, que venha
O tempo da paixão...

Tive tanta paciência
Que para sempre esqueço.
Temor e penitência
Aos céus partiram.
E a sede doentia
Me escurece as veias.

Que venha, que venha
O tempo da paixão.
Assim o prado
Ao esquecimento deixado,
Engrandece, e floresce
De joio e incenso,
Ao zumbir tenso
Das moscas sujas.

Que venha, que venha,
A paixão que se empenha.


Eu amava o deserto, os pomares queimados, as lojas desbotadas, as bebidas mornas. Eu me arrastava nas vielas fedidas e, os olhos cerrados, me oferecia ao sol, deus de fogo.
“General, se sobrar um velho canhão nas tuas muralhas em ruínas, bombardea-nos com blocos de terra seca. Nas vitrines das lojas maravilhosas! Nos salões! Faz a cidade comer o seu pó.
Enferruja as bicas. Enche os quartos femininos de pó de rubis ardendo...
Oh! O mosquitinho bêbado no mictório do albergue, amoroso da borragem”, e que dissolve um raio!


     


Jean  Nicholas Arthur  Rimbaud: sua saga atormentada através da África deserta da segunda metade do século passado, sua rumorosa ligação com o também genial poeta Verlaine, sua infância repleta de livros e fugas. Do garoto-prodígio que fazia versos em latim na Charleville onde nasceu em 1854 ao hospital de Marselha, onde chegou mutilado e infeliz para morrer aos 37 anos, temos aqui as andanças, a vida e a obra do autor de Uma Estação no Inferno e Iluminações. Por que este homem escreveu sua obra genial até os 19 anos e a partir daí jamais escreveu um verso? Por que a fuga dramática da Europa para uma vida de privações na África longínqua, amealhando dinheiro compulsivamente? Por que, quando perguntado se era parente de um poeta francês de nome Rimbaud ele dizia apenas: "Nunca ouvi falar"? 

Fonte: "Rimbaud por ele mesmo", ed. Martin Claret - tradução: Daniel Fresnot.


"Eclipse Total" (amor, Rimbaud e Verlaine) Filme Completo Legendas em po...

 

O filme conta a história do encontro visceral entre os poetas franceses Arthur Rimbaud (Leonardo DiCaprio) e Paul Verlaine (David Thewlis). Impressionado pelo talento e espontaneidade do jovem Rimbaud, o veterano Verlaine se aproxima do rapaz. Em noites regadas a absinto, os dois estreitam a amizade, descobrem o amor entre eles e escrevem alguns de seus poemas mais famosos. Porém, as amarras da sociedade e a própria intensidade da paixão entre eles começam a minar o relacionamento, mas a beleza desse encontro estelar brilha para o sempre no céu purpura da absoluta grandesa humana.




Carta de Isabelle Rimbaud, 28 de outubro de 1891.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Exposição Maldita 3.0


Formada por uma programação “rock and roll”, a Rádio Fluminense FM - apelidada pelos seus criadores de “Maldita” - entrou no ar em 1982. Em seus primeiros anos de funcionamento, a Fluminense teve como missão dar voz à geração de 1980. A Exposição “Maldita 3.0” celebra os 30 anos apresentando painéis com bate-papos entre ex-integrantes, jornalistas e produtores culturais, além de todo o acervo da Rádio, como fotos, objetos, documentos, livros, gravações de entrevistas, prêmios, discos promocionais e filmes. O público vai poder ver a remontagem do primeiro estúdio da Rádio, com equipamentos originais da época, e a exibição do curta-metragem “A Maldita”. A exposição reúne fotos inéditas, tiradas ao longo dos anos de funcionamento da Rádio, e uma série de fotos da primeira edição do festival Rock in Rio, pertencentes ao acervo do Festival. Entre os objetos expostos estão guitarras de Oasis, Echo and The Bunnymen, da Legião Urbana, da Plebe Rude; a bateria de Foo Fighters; o violão da cantora Cássia Eller e Skate do Beastie Boys autografado pelos seus integrantes, incluindo o falecido MCA. 

Para quem viveu a época da Maldita, dedico-lhe esse pequeno registro. 

Veja algumas fotos da exposição: 
Por Jacqueline Gaudard




















Carta de ouvinte para a galera da rádio Fluminense Maldita.










Guitarra Oasis


Vale a pena conferir a exposição!!! 


A exposição acontece até o dia 12 de agosto, sempre de terça à domingo, de 12h às 19h, no Centro Cultural dos Correios – Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro (próximo ao CCBB). Para maiores informações, acesse o site www.maldita30.com ou ligue para (21) 2253-1580.



domingo, 1 de julho de 2012

Alexandro Aguiar - Dalí atômico


Apresento neste vídeo o artista em seu processo de criação da obra. Vídeo muito interessante que registra o olhar do artista perante a obra de arte, e que nos leva a embarcar junto dela nessa viagem plástica do universo artístico. Fantástico, vale a pena conferir!!!

 

Alexandro Aguiar é artista plástico formado pela Universidade Federal de Minas Gerais. 

Impressionante!


Em 23 de junho de 2012.

Cerca de 1.700 pessoas posaram nuas para um fotógrafo americano, em Munique, na Alemanha. 





Fonte: http://noticias.uol.com.br/album/album-do-dia/2012/06/23/imagens-do-dia---23-de-junho-de-2012.htm#fotoNav=4