quinta-feira, 3 de maio de 2012

MUSICA CLASSICA- MOLTO VIVACE - BEETHOVEN (9.SYMPHONIE)

     

Belíssimo vídeo, acompanhado da 9º sinfonia de Beethoven!!! 
Depois de um dia de trabalho e muito estudo, música clássica é a melhor pedida para renovar os ânimos e alimentar a alma! :)



quarta-feira, 2 de maio de 2012

Charles Baudelaire: Spleen(Muse: Dark Shines)

Charles Baudelaire con l'accompagnamento splenetico dei Muse. Traduzione in italiano a cura di Antonio Prete.


               

CHARLES BAUDELAIRE


Spleen I

Pluviôse, contra toda a cidade irritado,
De sua urna verte um frio tenebroso
Sobre os que moram sós no cemitério ao lado,
E entorna a morte no subúrbio nebuloso.

Meu gato em busca de onde estar aconchegado
Agita inquieto o corpo flácido e asqueroso;
A alma de um velho poeta erra pelo telhado,
Com a lúgubre voz de um fantasma brumoso.

O bordão se lamenta, e a tíbia acha de lenha
Acompanha em falsete a pêndula roufenha,
Enquanto num baralho, entre ácidos odores,

Herança de uma velha hidrópica e entrevada,
Um valete e uma dama, em sinistra jogada,
Vão lembrando entre si sues defuntos amores.


Spleen II

Eu tenho mais recordações do que há em mil anos.
Uma cômoda imensa atulhada de planos,
Versos, cartas de amor, romances escrituras,
Com grossos cachos de cabelo entre as faturas,
Guarda menos segredos que o meu coração.
É uma pirâmide, um fantástico porão,
E jazigo não há que mais mortos possua.
- Eu sou um cemitério odiado pela lua,
Onde, como remorsos, vermes atrevidos
Andam sempre a irritar meus mortos mais queridos.
Sou como um camarim onde há rosas fanadas,
Em meio a um turbilhão de modas já passadas,
Onde os tristes pastéis de um Boucher desbotado
Ainda aspiram o odor de um frasco destampado.
Nada iguala o arrastar-se dos trôpegos dias,
Quando, sob o rigor das brancas invernias,
O tédio, taciturno exílio da vontade,
Assume as proporções da própria eternidade.
- Doravante hás de ser, ó pobre e humano escombro!
Um granito açoitado por ondas de assombro,
A dormir nos confins de um Saara brumoso;
Uma esfinge que o mundo ignora, descuidoso,
Esquecida no mapa, e cujo áspero humor
Canta apenas os raios do sol a se pôr.


Spleen III

Sou como um rei sombrio de um país chuvoso,
Rico, mas incapaz, moço e no entanto idoso,
Que, desprezando do vassalo a cortesia,
Entre seus cães e outros bichos se entedia.
Nada o pode alegrar, nem caça, nem falcão,
Nem seu povo a morrer defronte do balcão.
Do jogral favorito a estrofe irreverente
Não mais desfranze o cenho deste cruel doente.
Em tumba se transforma o seu florido leito,
E as aias, que acham todo príncipe perfeito,
Não sabem mais que traje erótico vestir
Para fazer este esqueleto enfim sorrir.
O sábio que ouro lhe fabrica desconhece
Como extirpar-lhe ao ser a parte que apodrece,
E nem nos tais banhos de sangue dos romanos,
De que se lembram na velhice os soberanos,
Pôde dar vida a esta carcaça, onde, em filetes,
Em vez de sangue flui a verde água do Lestes.



Charles Baudelaire, As Flores do Mal, 1821 - 1867.


The Beatles - Come Together (official clip)

                     

Come Together

Here come old flattop, he come grooving up slowly
He got joo-joo eyeball, he one holy roller
He got hair down to his knee
Got to be a joker he just do what he please

He wear no shoeshine, he got Toe-Jam football
He got monkey finger, he shoot Coca-Cola
He say "I know you, you know me"
One thing I can tell you is you got to be free

Come together right now over me

He bag production, he got walrus gumboot
He got Ono sideboard, he one spinal cracker
He got feet down below his knee
Hold you in his armchair you can feel his disease

Come together right now over me

Right

He roller-coaster he got early warning
He got muddy water, he one mojo filter
He say "one and one and one is three"
Got to be good-looking 'cause he's so hard to see

Come together right now over me

(9x)
Come together, yeah


Venha Junto

Aqui vem o velho Flat Top, ele vem gingando lentamente
Ele tem olhos mágicos, ele quer um par de patins santos
Ele tem cabelos até seu joelho
Tem que ser um palhaço, ele simplesmente faz o que lhe agrada

Ele não usa nenhuma graxa no sapato, ele tem futebol nos dedos
Ele tem dedo de macaco, ele atira coca-cola
Ele diz "Eu te conheço, você me conhece"
Uma coisa que eu posso dizer a você é que você tem de ser livre

Chegue mais perto, agora mesmo, comigo

Ele ensacola produção, ele tem botas de morsa
Ele tem as costeletas da Ono, ele é um quebrador de colunas
Ele tem pés abaixo do seu joelho
Prende você na sua poltrona, você pode sentir sua doença

Chegue mais perto, agora mesmo, comigo

Certo

Ele vai na montanha-russa, ele recebe aviso prévio
Ele tem água barrenta, ele é um filtro de feitiço
Ele diz "um e um e um é três"
Tem que ter boa aparência porque ele é tão difícil de ver

Chegue mais perto, agora mesmo, comigo

(9x)
Chegue mais perto, yeah


Crônica - Só a terra não basta











A feira era grande, mas a freguesia pequena. Os produtores chegavam de madrugadinha, fazendo o mínimo barulho que permitiam seus veículos. 


O José vinha na sua moto velha, abarrotada de pés de alface, almeirão, couve... Maldizia a hora em que resolveu plantar couve. Era tanta que ficou conhecido, o que é natural, como Zé das Couve. Valtercides chegou mais cedo hoje, o carro, 1967, atulhado de batatas-doces, mandioca, inhame. Seu Jair aparece com uma dúzia de galinhas pendurada no guidão da bicicleta. O feijão viaja de carroça e o café no lombo do burro. 



Um movimento louco. Além dos camponeses chegam os produtores da cidade: salgados, bolos, brinquedos de pau... 



O caminhão do Seu Antônio está atrasado, se atrasa sempre. Precisa percorrer as estradas que nem existem mais, ou que nunca existiram, para recolher os produtos de dez camponeses. Nunca se sabe quando vai chegar. 



Tudo ali é produzido nos arredores da cidade. Não era assim quando só haviam a cerca, o capim, o nelore. O Coronel Jarbas nem pisava na rua, chegava direto de Araçatuba e se mandava duas horas depois. 



O Coronel não viria mais; há dois anos não vinha. Nas terras que ele reclamava para si, agora vivem duas centenas de famílias que enfrentaram noites em claro na defesa do acampamento contra os jagunços e a polícia, sempre rondando, provocando. 


II
O acampamento durou pouco, só o tempo da comissão encarregada do corte da terra entregar os lotes demarcados. Uma semana de trabalho duro, fazendo picada na mata e na braquiária, mas quanta alegria de ver chegar aquele dia. Era coisa nova, que ninguém tinha visto; enquanto muitos ficam na estrada a vida toda, aqui estavam na frente. 


Parece que o sol adivinhou e iluminou a assembléia de maneira especial. Em meio a músicas, vivas, risadas, lágrimas de alegria, as crianças sortearam os lotes. 



Todos se puseram a arranjar as mudanças, satisfeitos — uns mais, outros menos — ninguém duvidava da honestidade do sorteio nem subestimava a grandeza do passo que acabavam de dar com as próprias pernas. 



Dois anos se passaram e estavam lá, produzindo naquela terra expropriada do latifúndio expropriador. As mãos grossas dos calos denunciavam que não houve moleza, não. O pasto fora arrancado na mão, com a família toda ajudando. Quantas vezes o Antonino não mirou o alto da encosta, o suor queimando os olhos, e pensou em desistir? Alguns desistiram. A terra agora era sua, está certo; havia produção, está certo, mas como ele ia tirar dali a colheita? 



Todos tinham mais ou menos os mesmos problemas para resolver. Faltava a estrada, a escola, o transporte... 



Se a produção do segundo ano foi ainda maior que a do primeiro, a quem vender senão ao Juliano da Grão de Ouro, aquele mesmo que morria de fome nos tempos do Coronel Jarbas porque não tinha nada que comprar. Pois é, agora ele chega, diz o preço que quer pagar e todos tem que vender, senão estraga tudo na roça. Assim Juliano fez seu pé de meia. Às custas dos camponeses. 



Mas, aos poucos alguns deles vão percebendo que sozinhos não irão longe. Um passo acima dos que ainda lutam heroicamente pela terra, e dois adiante dos que se deixam arrastar pelo oportunistas, se juntaram para uma experiência também nova. O grupo de ajuda mútua ainda é pequeno, mas começa a empolgar; todos os antigos desconfiados querem saber a quantas anda o trabalho, se alguém faz corpo mole, se tem alguém que se escora nos companheiros. O fato é que o milho está bonito que só vendo. Ano que vem serão, pelo menos, mais dois grupos como este. 



Uma escola bem que ia ajudar. Mas, que escola? Alguns que nem sabem ler já têm consciência que uma escola que sirva aos camponeses tem que ser feita por eles, dirigida por eles e que os ensine a dirigir. Governar é a palavra certa, porque para o mundo que eles libertam do latifúndio é necessário trabalhadores cultos. 


III
A feira agora está se enchendo de rostos conhecidos. Conhecidos da feira? Não. As mesmas pessoas que ajudaram ao acampamento com alimentos, roupas e até dinheiro dois anos atrás. Não era esmola, nem a caridade cristã, era respeito, pela coragem e destemor dos trabalhadores da terra. Também queriam que a cidade voltasse a viver. Durante muitos anos o coronel não comprou nem o sal para o gado na cidade. Agora, não, os camponeses que não precisavam mais de doações vêm expor os melhores frutos de seu trabalho na cidade e fazem, por sua vez, doações aos que se encontram cortando suas terras e expropriando mais um coronel. Até os que achavam que a gente era vagabundo vêm, olha só! No meio de abelhas persistentes, Jorge se aproveita do calor e tira até a última gota de caldo da cana, que trouxe na charrete. O Gumercindo já vendeu todo seu feijão e, com o dinheiro vai comprar algumas coisas para casa. Colheu no começo da semana e carregou, nas próprias costas, até em casa, porque ainda não tem tulha. Talvez ajude a construir aquela grande que o grupo do milho vai fazer. A essa hora alguma panela de pressão aqui da cidade deve estar apitando. 


A farinha de mandioca da Dona Zulmira não precisa de propaganda. É conhecida como a melhor da região e com sua venda faz todo o sortimento da casa, até de ferramentas para a roça. 



O terreno em que hoje fica a feira é da prefeitura e por várias vezes os políticos da cidade tentaram construir ali um edifício, imponente como só eles sabem fazer, e inútil também. Com muito custo, os feirantes se uniram, foram à prefeitura, protestaram, não arredaram pé, e mantiveram a feira ali. Tem até arrecadação; são R$ 4,00 e muitos não pagam; dá só para fazer a limpeza do local. Mas o perigo de despejo retorna a cada ano, e piora depois de cada eleição. 



A construção de um galpão que abrigue a feira será obra dos próprios feirantes, que são também camponeses, porque sabem que Estado não o fará. Até hoje não reconheceu a posse da terra, acha que a feira não existe. E daí? Ninguém precisou do Estado para conquistar a terra, que foi cortada apesar dele, e a feira acontece movida por essa mesma força. 



No meio da gritaria dos pregões, a voz de Seu Nestor se destaca: 


— Olha a laranja! Olha a laranja!
— É doce, seu Nestor?
— Não. Se fosse doce eu gritaria: Olha o doce! Olha o doce! A laranja é doce, sim, patrão. Vai levar quantas dúzia? 


Ainda falta muita coisa, e os companheiros sabem disso. Existem os tratores, que todos já viram, mas ninguém possuiu, colheitadeiras, então. As estradas em alguns lugares são boas também. E os armazéns; cada silo maior que o outro. Estão longe daqui, não é? O maior é o do Juliano, que não é tão grande assim. Mas, o importante é que todos sentem que é importante ter essas coisas, os meios de produção: de armazenagem, de transporte. Não individualmente, mas juntos, da mesma forma que conquistaram a terra e igual o grupo de ajuda mútua que está dando certo. 


Todos sabem que é difícil. Tem o caso do Moacir, que não quer fazer nada junto com ninguém, mas, aos poucos convenceremos também a ele de que a produção coletiva é a melhor.

Olha só aquele garoto com o pai, comendo o pastel que Dona Cida fez na madrugada para trazer quentinho para a feira. Impossível não nos transportarmos para o futuro, aquele mesmo que a gente projeta desde que é garoto até morrer. O futuro que a maioria dessas pessoas quer, agora, não é mais o sonho de terra, casa, carro, mas o porvir de uma sociedade que produzirá um só tipo de homens: os livres da exploração.



José Ricardo Prieto é Professor de História da rede pública de ensino e, diretor do jornal "A Nova Democracia". 



Mafalda (Filme Completo)

                        

Mafalda é uma personagem de histórias em quadrinhos escrita e traduzida em imagens pelo cartunista argentino Joaquín Salvador Lavado, mais conhecido como Quino. Ela animou as tiras cultuadas por fãs em todo o Planeta de 1964 a 1973. Esta personagem, que logo se tornou célebre entre os leitores de suas histórias, é uma garota constantemente inquieta com a trajetória do ser humano e a paz no mundo.


Esta menina rebelde, inconformada diante do contexto mundial recente, tornou-se extremamente popular em todo o continente europeu e na América Latina. Inúmeras vezes ela foi comparada à criação do norte-americano Charles Schulz, Charlie Brown, especialmente pelo escritor Umberto Eco, em 1968, que via em ambos um temperamento triste e suave. Este autor também caracterizava Mafalda como uma protagonista propensa à ira, justamente por não aceitar as coisas como elas são.
As aventuras de Mafalda foram narradas em três veículos – Primera Plana, El Mundo e Siete Días Illustrados. Quino foi sempre um autor exigente, doando-se integralmente a sua criatura, com um estilo distinto de outros cartunistas, que dividiam sua produção com outros artistas e desenhistas. Ele fez questão de manter um vínculo direto com sua personagem, responsabilizando-se sozinho por ela. Assim, não foi difícil para o autor descobrir o momento exato em que ela deveria interromper sua trajetória e partir, antes que qualquer leitor pudesse se dar conta de que ela tinha completado sua jornada.
Mafalda foi provavelmente criada no contexto histórico conhecido como Pós-Guerra Fria. Seu criador, o cubano David Viñas, sob um regime ditatorial, encontrou nesta personagem uma forma de expressar suas meditações sobre um mundo recém-globalizado, integralmente capitalista, no qual o comunismo está quase totalmente ausente. Assim, ele podia criticar as leis cubanas e transmitir sua visão de mundo sem ser atingido pelas malhas da repressão.
Esta garota rebelde nasceu, portanto, em 1962, pronta para protagonizar um cartoon publicitário destinado a ser divulgado no jornal argentino Clarín, mas, devido a uma súbita ruptura do contrato, este trabalho foi inutilizado. Mafalda só se transformou em um cartoon concreto graças ao estímulo de Julián Delgado, amigo de Quino, então editor-chefe do Primera Plana, veículo semanal.
A tira de Mafalda foi lançada no exemplar de 29 de setembro de 1964, mas somente Mafalda e seus progenitores foram apresentados nesta edição; o personagem Filipe é acrescentado em janeiro de 1965. Mas uma divergência de natureza legal aparece em 9 de março deste mesmo ano e o quadrinho é suspenso. Uma semana depois, porém, Mafalda ressurge em versão diária no El Mundo de Buenos Aires.
Manolito e Susanita são elaborados em poucas semanas e, quando a mãe de Mafalda descobre que está esperando um bebê, o veículo no qual a tira circula entra em falência, no dia 22 de dezembro de 1967. Em 2 de junho de 1968 a história em quadrinhos renasce no jornal Siete Días Illustrados.
No dia 25 de junho de 1973 Quino encerrou a publicação das tiras de Mafalda. Depois disso ele raras vezes a ressuscitou, apenas em momentos muito vinculados à imagem da personagem, como as lutas pelos Direitos Humanos. Em Buenos Aires, capital da Argentina, uma praça foi batizada com seu nome, uma prova da importância desta personagem.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mafalda
http://www.mafalda.net/pt/geschichte.php




terça-feira, 1 de maio de 2012

Georges Bataille : Literature And Evil

                       

A geração que pertenço é tumultuosa.
Ela despertou para vida literária nos tumultos do surrealismo. Houve, nos anos que se seguiram à Primeira Guerra, um sentimento que transbordava. A literatura sufocava sem limites. Parecia que ela continha em si uma revolução. (...)
Estes estudos correspondem ao esforço que empreguei para destacar o sentido da literatura... A literatura é o essencial ou não é nada. O Mal – uma forma penetrante do Mal – de que ela é a expressão, tem para nós, creio eu, o valor soberano. Mas esta concepção não impõe a ausência de moral, exige uma “Hipermoral”


- Mas, se ser um escritor é ser culpado de alguma coisa, então para Kafka ou Baudelaire ser um escritor também é ser alguém que não é lá muito responsável. Essa era a opinião de suas famílias. Esta culpabilidade para eles é algo infantil. E você pensa que Kafka e Baudelaire sentiam-se culpados de ser infantis quando escreviam?

- Creio que isso fica muito claro, eles mesmos o dizem: eles sentiam que estavam na mesma situação de uma criança diante de seus pais. Uma criança que desobedece aos pais e que, consequentemente, tem a consciência pesada, porque pensa nos pais que tanto ama e que sempre lhe dizem o que não fazer, dizem que aquilo é mal, no sentido mais forte da palavra.





Existem dois tipos opostos de mal. O primeiro está relacionado com o sucesso das atividades humanas, ou seja, na conquista dos resultados esperados. E o outro tipo consiste na deliberada violação de alguns tabus como, por exemplo, o tabu contra o assassinato ou sexualidade.


(Georges Bataille)




Geoges Bataille (1897 – 1962): Escritor francês, cuja obra se enquadra tanto no domínio da Literatura como no campo da Antropologia, Filosofia, Sociologia e História da arte. O erotismo, a transgressão e o sagrado são temas abordados em seus escritos. 


Gonzaguinha - É / O que é, o que é?